Espaço dedicado à Poesia, especialmente, a poesia popular do Nordeste, que nasceu com os repentistas, violeiros e glosadores e hoje é admirado no Brasil e no Mundo.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Mote Bom da peste_3
Certa vez J.Butija encontra-se com Tiago Patriota e ele lhe retrata uma história de um mote bastante frutífero! Aí saíram esses versos!
Quem jurou que me amava me esqueceu...
Foram tantos carinhos que me destes
Foram tantos prazeres que te dei
Que algum dia jamais acreditei
Dividir tudo aquilo que juntamos
Nossa casa pequena que adornamos
Hoje não brilha mais: tornou-se escura
Meu semblante transborda de amargura
E nossa linda aliança se rompeu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Minhas faltas jamais serão banidas
Da memória de quem foi magoada
Que só Deus sabe o quanto a sua falta
Lapidou o que eu sinto por você
Mesmo assim só depois que eu morrer
Reencarno, procurando uma procura
Nossas almas em uma só mistura
Do amor que enfim nunca morreu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Das lembranças em loucos pensamentos
Lembro o tempo que a gente foi feliz
Pouco tempo passei. ahh quanto quis
Ter de novo o seu colo em meu ouvido
Mais por ti eu jamais serei esquecido
Pois fui bom dei carinho dei ternura
Mas a vida não é toda fulgura
Já não há o teu corpo junto ao meu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Não pedi nada mais do eu já tinha
Não te dei nada mais do que eu podia
Era tão evidente a harmonia
Nossa vida um perfeito caminhar
Eu pensei me perder pra te encontrar
Mas caí na cilada da amargura
Hoje só restam versos de candura
E a lembrança que em mim nunca morreu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Tiago patriota e J. Butija
Quem jurou que me amava me esqueceu...
Foram tantos carinhos que me destes
Foram tantos prazeres que te dei
Que algum dia jamais acreditei
Dividir tudo aquilo que juntamos
Nossa casa pequena que adornamos
Hoje não brilha mais: tornou-se escura
Meu semblante transborda de amargura
E nossa linda aliança se rompeu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Minhas faltas jamais serão banidas
Da memória de quem foi magoada
Que só Deus sabe o quanto a sua falta
Lapidou o que eu sinto por você
Mesmo assim só depois que eu morrer
Reencarno, procurando uma procura
Nossas almas em uma só mistura
Do amor que enfim nunca morreu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Das lembranças em loucos pensamentos
Lembro o tempo que a gente foi feliz
Pouco tempo passei. ahh quanto quis
Ter de novo o seu colo em meu ouvido
Mais por ti eu jamais serei esquecido
Pois fui bom dei carinho dei ternura
Mas a vida não é toda fulgura
Já não há o teu corpo junto ao meu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Não pedi nada mais do eu já tinha
Não te dei nada mais do que eu podia
Era tão evidente a harmonia
Nossa vida um perfeito caminhar
Eu pensei me perder pra te encontrar
Mas caí na cilada da amargura
Hoje só restam versos de candura
E a lembrança que em mim nunca morreu
Quem jurou que me amava me esqueceu
E eu não sei esquecer quem fez a jura
Tiago patriota e J. Butija
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Mote bom da peste _2
Esse é outro mote tão conhecido no sertão que ninguém sabe mais o autor rsrs...
TODA NOITE A SAUDADE ME VISITA
PRA MOSTRAR MAIS UM FILME DO PASSADO
Aí já sabe né? quando a gente vê que a deixa é boa, um poetazin assim como eu, começando, gosta de pegar e emendar já o seu verso pra fazer parte da coletividade rsrs.
TODA NOITE A SAUDADE ME VISITA
PRA MOSTRAR MAIS UM FILME DO PASSADO
Aí já sabe né? quando a gente vê que a deixa é boa, um poetazin assim como eu, começando, gosta de pegar e emendar já o seu verso pra fazer parte da coletividade rsrs.
Vejo imagens que comoveram outrora
Que enfeitaram de flores meu viver
Só agora vejo o dia anoitecer
Quando passam essas cenas coloridas
Sentimentos que evocam a despedida
De um tempo feliz e sem pecado
Hoje falta no viver - já desolado
O verniz que pinta a alma mais bonita
Toda noite a saudade me visita
Pra mostrar mais um filme do passado
J.Butija
domingo, 4 de setembro de 2011
Walmar Belarmino... Uma lenda moxotesca
Um grande mestre do lirismo, um verdadeiro guerreiro da poesia. Suas obras transcendem a estética da poesia popular e inaugura o que o crítico Josessandro Andrade denominou "lirismo-social", uma verdadeira ética movida pela insatisfação diante da figura do marginal: o órfão, o menino-de-rua... Eterno aprendiz, Walmar cantou entre festivais, poemas, e canções religiosas a desolação e a superação diante das desigualdes sociais.
Coração de poeta
TÃO SENSÍVEL DE UM JEITO IMENSURÁVEL
QUE CONSEGUE SENTIR O INAUDÍVEL
E BEIJAR COM LEVEZA O INTOCÁVEL
VER UM DEUS EM CADA MISERÁVEL
E CHORAR PELA DOR DE UM OPRIMIDO
MESMO VENDO SEU DONO POR VENCIDO
ELE APOSTA NA ÂNSIA DE VENCER
ETERNIZA A LIÇÃO DO APRENDER
E GARANTE QUE NADA ESTÁ PERDIDO”
VIDA, VIOLA E REPENTE
A PINTO DO MONTEIRO
COM A FORÇA QUE EU TRAGO NO MEU VERSO
E O VENENO QUE TEM MEU IMPROVISO
EU TRANSFORMO EM PERFEITO O IMPRECISO
FAÇO O AMOR TRANSBORDAR PELO UNIVERSO
PRÁ CANTAR SOU VELOZ E NÃO TROPEÇO
MINHA ESTRELA É REFLEXO TRANSCENDENTE
O MEU SIGNO É PACÍFICO E COERENTE
SEI DE COR A RECEITA QUE CONSOLA
EU NASCI AGARRADO COM A VIOLA
E O MEU BERÇO FOI FEITO DE REPENTE
E O VENENO QUE TEM MEU IMPROVISO
EU TRANSFORMO EM PERFEITO O IMPRECISO
FAÇO O AMOR TRANSBORDAR PELO UNIVERSO
PRÁ CANTAR SOU VELOZ E NÃO TROPEÇO
MINHA ESTRELA É REFLEXO TRANSCENDENTE
O MEU SIGNO É PACÍFICO E COERENTE
SEI DE COR A RECEITA QUE CONSOLA
EU NASCI AGARRADO COM A VIOLA
E O MEU BERÇO FOI FEITO DE REPENTE
Walmar
Aqui vai a homenagem singela de um discípulo desse já falecido, porém imortal poeta sertaniense.
De repente se fez meu universo
Vacilante entre versos sem rimar
Pé-quebrando eu me pus a recitar
Pra escapar das agústias e desertos
As raízes busquei, me fiz completo
Vi a flor crescer bela e reluzente
O amor segurei com unhas e dentes
Transformei vendaval numa marola
Eu nasci agarrado na viola
E meu berço foi feito de repente
Júnio butija
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Riqueza brasileira
Era uma certa vez.... E tudo isso foi chamado de folclore. Mas independente do nome que deram e que significado ele tem. A questão é porque essas histórias exercem tanto fascínio nos cancioneiros populares?
Não é minha intenção comentar, eu quero apanas sugerir. Eu sugiro que vocês leiam essa composição que se chama "Amanhã eu vou" composta em 1951 por Beduíno e Luíz Gonzaga. Sugiro ainda que ouçam a interpretação de Luís Gonzaga. Aqui ele mostra sua face de rapsodo popular nordestino influenciado gravações de Fagner, Elba Ramalho e tantos outros artistas nordestinos que interpretaram suas músicas.
Bem, a composiçao gonzaguena não é o único olhar sobre o tema. Digamos que é um olhar moderno. Não há consenso entre as fontes se se trataria de uma lenda amazônica ou cearense. Mas existem várias versões que tratam da Carimbamba. Um pássaro misterioso com pés de pato e cabeça de gente.
Amanhã eu vou
(Beduíno e Luíz Gonzaga)
(Beduíno e Luíz Gonzaga)
Um lago mal assombrado
À noite sempre se ouvia a carimbamba
Cantando assim:
Amanhã eu vou, amanhã eu vou
A carimbamba, ave da noite
Cantava triste lá na lagoa
Amanhã eu vou, amanhã eu vou
E Rosabela, linda donzela
Ouviu seu canto e foi pra lagoa
E Rosabela, linda donzela
Ouviu seu canto e foi pra lagoa
A taboa¹ laçou a donzela
Caboclo d'água ela levou
A carimbamba vive cantando
Mas Rosabela nunca mais voltou
Amanhã eu vou, amanhã eu vou
¹Taboa é uma planta típica de várzeas ou brejos.
Quem quiser saber mais pode clicar no link abaixo.
http://recantodasletras.uol.com.br/infantil/1280049
para baixar a música:
http://www.4shared.com/audio/OGkfwrAt/Luiz_Gonzaga_-_Amanh_Eu_Vou.htm
para baixar a música:
http://www.4shared.com/audio/OGkfwrAt/Luiz_Gonzaga_-_Amanh_Eu_Vou.htm
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Tríade, trinômio, triplo... Tribalistas
Talvez esse disco tenha passado um pouco despercebido na nossa música brasileira, mas o lirismo e a espontaneidade que ele carrega são especialmente geniais.
Lançado em 2002 os 'Tribalistas' são fruto de uma frutífera amizade entre Marisa, Carlinhos e Arnaldo que por sinal é bem antiga. Desde os tempos primevos dos titãs Marisa já tinha certa parceria com Arnaldo Antunes, assim como, com o percussionista, cantor e compositor baiano Carlinhos Brown com quem tem algumas parcerias no àlbum 'cor de rosa e carvão', o terceiro de sua carreira.
Assim, Marisa Monte parece mesmo ser o ponto convergente desse profícuo relacionamento entre os três artistas, visto que, durante sua carreira foi sempre muito aberta e interessada nas mais diversas parcerias, dentre elas destacam-se Paulinho da Viola, Os novos baianos e tembém Nando Reis.
Bem, não é a toa que toda essa efervescência poética que resultou no álbum em questão tenha concorrido a cinco indicações no Grammy latino de 2003. Mais curiosa ainda, foi a postura dos artistas que, apesar do sucesso nacional (um milhão de cópias) e internacional, resolveram não fazer shows, nem divulgação corrente em meios de massa ( 'não tenho paciência pra televisão' - trecho da faixa 'já sei namorar') assim como, não prolongar a proposta artística em função do sucesso ('o tribalismo é um anti-movimento que pode se desintegrar no próximo momento' trecho da canção 'Tribalismo') como uma nescessidade de não dar continuidade a propostas duráveis como os movimentos do século passado da jovem guarda, bossa nova e tropicália.
Assim, a obra ficou meio que aberta no terreno do efêmero da mídia evitando uma cristalização negativa comum nos fenômenos midiáticos que acaba por desgastar a criação artística colocando-a a serviço do mercado fonográfico. Tal mérito estético, alcançado pelo trio, é difícil de ser visto na música brasileira.
Mas, além disso, o álbum conta com algumas canções entre samba-canções, batidas de bossa, valsinhas infantis e até levadas dançantes temperadas com muita irreverência e sensibilidade poética que fizeram a redação do 'nuvuens e versos' penar na hora da escolha da publicação. Verdadeiras Jóias merecem atenção especial como 'É você', 'Um a um', 'Carnavália' e 'Pecado é te deixar de molho' mas não é exagero dizer que o trabalho é daqueles que a gente não encontra fissuras.
Enfim, aqui então serão postadas as singelas 'Lá de longe' e 'Carnalismo' para a apreciação sensível de nossos finos leitores.
Mais uma vez. Deleitem-se. Deem verdadeiras estrelinhas com essas pequenas amostras de vida.
Lá de longe
Longe, lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Cante para hoje.
Carnalismo
No rastro do seu caminhar
No ar onde você passar
O seu perfume inebriante
Pendura num instante,
A rua inteira a levitar
Me abraça e me faz calor
Segredos de liquidificador
Um ser humano é o meu amor
De músculos , de carne e osso,
Pele e cor.
Lançado em 2002 os 'Tribalistas' são fruto de uma frutífera amizade entre Marisa, Carlinhos e Arnaldo que por sinal é bem antiga. Desde os tempos primevos dos titãs Marisa já tinha certa parceria com Arnaldo Antunes, assim como, com o percussionista, cantor e compositor baiano Carlinhos Brown com quem tem algumas parcerias no àlbum 'cor de rosa e carvão', o terceiro de sua carreira.
Assim, Marisa Monte parece mesmo ser o ponto convergente desse profícuo relacionamento entre os três artistas, visto que, durante sua carreira foi sempre muito aberta e interessada nas mais diversas parcerias, dentre elas destacam-se Paulinho da Viola, Os novos baianos e tembém Nando Reis.
Bem, não é a toa que toda essa efervescência poética que resultou no álbum em questão tenha concorrido a cinco indicações no Grammy latino de 2003. Mais curiosa ainda, foi a postura dos artistas que, apesar do sucesso nacional (um milhão de cópias) e internacional, resolveram não fazer shows, nem divulgação corrente em meios de massa ( 'não tenho paciência pra televisão' - trecho da faixa 'já sei namorar') assim como, não prolongar a proposta artística em função do sucesso ('o tribalismo é um anti-movimento que pode se desintegrar no próximo momento' trecho da canção 'Tribalismo') como uma nescessidade de não dar continuidade a propostas duráveis como os movimentos do século passado da jovem guarda, bossa nova e tropicália.
Assim, a obra ficou meio que aberta no terreno do efêmero da mídia evitando uma cristalização negativa comum nos fenômenos midiáticos que acaba por desgastar a criação artística colocando-a a serviço do mercado fonográfico. Tal mérito estético, alcançado pelo trio, é difícil de ser visto na música brasileira.
Mas, além disso, o álbum conta com algumas canções entre samba-canções, batidas de bossa, valsinhas infantis e até levadas dançantes temperadas com muita irreverência e sensibilidade poética que fizeram a redação do 'nuvuens e versos' penar na hora da escolha da publicação. Verdadeiras Jóias merecem atenção especial como 'É você', 'Um a um', 'Carnavália' e 'Pecado é te deixar de molho' mas não é exagero dizer que o trabalho é daqueles que a gente não encontra fissuras.
Enfim, aqui então serão postadas as singelas 'Lá de longe' e 'Carnalismo' para a apreciação sensível de nossos finos leitores.
Mais uma vez. Deleitem-se. Deem verdadeiras estrelinhas com essas pequenas amostras de vida.
Lá de longe
Longe, lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Mande para ontem
uma voz que se expanda e suspenda esse instante
Lá de longe
de onde toda a beleza do mundo se esconde
Cante para hoje.
Carnalismo
No rastro do seu caminhar
No ar onde você passar
O seu perfume inebriante
Pendura num instante,
A rua inteira a levitar
Me abraça e me faz calor
Segredos de liquidificador
Um ser humano é o meu amor
De músculos , de carne e osso,
Pele e cor.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
De Frankfurt a Sertânia
A cultura não é o exótico,
Mas é o fazer natural.
A cultura não é a arte local,
Mas é fazer arte na praça.
A cultura hoje é espaço marginal,
O outro espaço, o melhor e mais suntuoso está na praça mas não vem da praça.
Mas é o fazer natural.
A cultura não é a arte local,
Mas é fazer arte na praça.
A cultura hoje é espaço marginal,
O outro espaço, o melhor e mais suntuoso está na praça mas não vem da praça.
O mais rico, equipado e mais famoso é o show, o espetáculo.
Mas não é cultura, certo?
Errado!Esse é cultura sim!
Cultura de massas.
Indústria cultural.
Aparelhada e maquinada
Repetida
Cultura reproduzida e embrulha pra presente
De grego
J. Butija
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Além-mar... Eugénio de Andrade: O sal da Língua
O sal da língua Eugénio de Andrade
Escuta-me, não te demoro. |
quinta-feira, 11 de março de 2010
Ele preferia ser... Raul Seixas
Acho que não dá pra falar de Raul sem falar desse álbum. Na minha opinião é o mais completo e não é a toa que é um de seus mais vendidos. O Gita foi lançado após um período de exílio (1974) vivido por Raulzito e seu parceiro Paulo Coelho - Don Paulete como é chamado na primeira faixa "Super heróis" - durante a ditadura militar. Os dois foram obrigados a permanecer nos EUA devido a problemas com a censura brasileira. Mas podemos notar claramente que o maluco beleza não abandona o tom provocativo de suas obras inserindo-se na capa de boina e guitarra vermelhas lembrando 'vagamente' um guerrilheiro da época.
Pois bem, o conteúdo do álbum não poderia ser diferente. Além de canções inspiradas na famosa sociedade alternativa, Raul se inspira no repente de viola em "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor" pra manter a irreverência sarcástica de suas composições criticando a sociedade da época e respondendo também às críticas que lhe eram feitas. Curiosamente o Gita faturou o disco de ouro (600 mil cópias) e ganhou até vídeo-clipe no fantástico (Podjjee!!!??) além de render à dupla de compositores um convite pra fazer trilha de novela (Querem saber qual? procurem! Hahahah).
Pra quem quer curtir uma boa música brasileira de seu tempo e com conteúdo atualíssimo esse álbum em especial não pode passar batido. O "nuvens e versos" traz para os amantes da poesia a composição "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor" na íntegra.
Deleite-se, fino leitor.
Tá rebocado meu compadre
Como os donos do mundo piraram
Eles já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram
O monstro SIST é retado
E tá doido pra transar comigo
E sempre que você dorme de touca
Ele fatura em cima do inimigo
A arapuca está armada
E não adianta de fora protestar
Quando se quer entrar
Num buraco de rato
De rato você tem que transar
Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo
Hoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipado
Se é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado
Eu que sou vivo pra cachorro
No que eu estou longe eu tô perto
Se eu não estiver com Deus, meu filho
Eu estou sempre aqui com o olho aberto
A civilização se tornou complicada
Que ficou tão frágil como um computador
Que se uma criança descobrir
O calcanhar de Aquiles
Com um só palito pára o motor
Tem gente que passa a vida inteira
Travando a inútil luta com os galhos
Sem saber que é lá no tronco
Que está o coringa do baralho
Quando eu compus fiz Ouro de Tolo
Uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse
Mas eles só vão entender o que eu falei
No esperado dia do eclipse
Acredite que eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira
A única linha que eu conheça
É a linha de empinar uma bandeira
Eu já passei por todas as religiões
Filosofias, políticas e lutas
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava
Da verdade absoluta
Raul Seixas e Raulzito
Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem
Como os donos do mundo piraram
Eles já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram
O monstro SIST é retado
E tá doido pra transar comigo
E sempre que você dorme de touca
Ele fatura em cima do inimigo
A arapuca está armada
E não adianta de fora protestar
Quando se quer entrar
Num buraco de rato
De rato você tem que transar
Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo
Hoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipado
Se é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado
Eu que sou vivo pra cachorro
No que eu estou longe eu tô perto
Se eu não estiver com Deus, meu filho
Eu estou sempre aqui com o olho aberto
A civilização se tornou complicada
Que ficou tão frágil como um computador
Que se uma criança descobrir
O calcanhar de Aquiles
Com um só palito pára o motor
Tem gente que passa a vida inteira
Travando a inútil luta com os galhos
Sem saber que é lá no tronco
Que está o coringa do baralho
Quando eu compus fiz Ouro de Tolo
Uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse
Mas eles só vão entender o que eu falei
No esperado dia do eclipse
Acredite que eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira
A única linha que eu conheça
É a linha de empinar uma bandeira
Eu já passei por todas as religiões
Filosofias, políticas e lutas
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava
Da verdade absoluta
Raul Seixas e Raulzito
Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Apócrifo
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Soneto da eterna juventude
Pensava poder construir castelos
Enfeitados com as mais belas flores
Com pilastras a prova de dores
Alicerces profundos e singelos
Sem ter que arriscar romper com os elos
Que mudam a alegria dos verdores
Fazendo a vida repleta de cores
perder a tinta, manchar o que é belo
Sem ter que deixar-te e enfrentar a mim
Ir até o fim pelo que plantei
Amar e amando a busca infinda
Pelos destroços encontrar-te-ei
Por sobrevivente serás ainda
A flor solitária do meu jardim
Enfeitados com as mais belas flores
Com pilastras a prova de dores
Alicerces profundos e singelos
Sem ter que arriscar romper com os elos
Que mudam a alegria dos verdores
Fazendo a vida repleta de cores
perder a tinta, manchar o que é belo
Sem ter que deixar-te e enfrentar a mim
Ir até o fim pelo que plantei
Amar e amando a busca infinda
Pelos destroços encontrar-te-ei
Por sobrevivente serás ainda
A flor solitária do meu jardim
Júnior Butija
sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vamo simbora que a peleja continua...
Apresentei limeirinha, deixei devendo, entretanto...
prosiei de seus absurdos
dos heróis, missais e santos
dos devaneios graúdos
apalhaçados quebrantos
mas agora chega a hora: apresento este indivíduo...
já chamaram "o sem parelhas"
" a cascavél do repente"
"o papa dos cantadores"
eu digo aqui sem temores
que esse poeta valente
na deixa pega ligeiro
orgulho da nossa gente:
pinto velho do monteiro.
PINTO DO MONTEIRO
Certa vez, Pinto cantando com um outro seu colega, este elogiava o Sertão, terra do velho cantador, e terminou uma sextilha assim:
Não sei medir o tamanho
dessa gente sertaneja...
dessa gente sertaneja...
Pinto pega na deixa e diz, com sua maneira autêntica de sertanejo puro e de versos fáceis:
Que eu esteja em casa ou não esteja
chegue, entre e arme a rede
coma se estiver com fome
beba se estiver com sede
se quiser se balançar
empurre o pé na parede.
chegue, entre e arme a rede
coma se estiver com fome
beba se estiver com sede
se quiser se balançar
empurre o pé na parede.
De outra feita, numa dessas suas grandes e ferrenhas lutas, em seu desafio o parceiro termina uma sextilha assim:
quando eu for para o outro mundo
vou lhe promover a galo...
vou lhe promover a galo...
Facilmente, Pinto jogou esta sátira:
Se eu gozar desse regalo
concedendo a providência
quando eu for pra o outro mundo
havendo esta transferência
você vai como galinha
para a mesma residência.
concedendo a providência
quando eu for pra o outro mundo
havendo esta transferência
você vai como galinha
para a mesma residência.
Pinto era verdadeiro cantador de repente. Bem diferente dos que normalmente conhecemos, que seguem uma rotina. Ele não. Respondia ao que lhe perguntam e revidava conforme lhe feriam. Numa cantoria, seu colega querendo atacá-lo, disse:
Aqui nesta cantoria
eu quero deixá-lo rouco...
eu quero deixá-lo rouco...
Pinto, com sua inesgotável idéia, responde:
Cantar com quem canta pouco
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
atola o pé motorista.
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
atola o pé motorista.
Em toda cantoria há o momento dos elogios, em que o cantador faz uma exaltação ao ouvinte, para agradá-lo e a paga ser recompensável. Era uma delas, o velho Pinto elogiava um sujeito e tudo fazia para agradá-lo. O camarada foi se retirando e não pagou. Pinto notou que ele tinha uma verruga no rosto e, velho rei do repente que era, imediatamente soltou a dele, com esta
sextilha:
Eu não posso confiar
em cabra que tem verruga
cachorro de boca preta
terreno que não enxuga
comida que doido enjeita
e casa que cigano aluga.
em cabra que tem verruga
cachorro de boca preta
terreno que não enxuga
comida que doido enjeita
e casa que cigano aluga.
(Extraído do livro ZÉ MARCOLINO - VIDA, VERSOS, VIOLA)
domingo, 19 de julho de 2009
Um poeta absurdamente absurdado

Saudações,
leitores da mais cara poesia...
Queria mostrar para vocês um "elemento" inusitado
que nasceu em meados do século XIX lá no sertão da
Paraíba. Mais precisamente no sítio Teixeira, região central onde passou a maior parte de sua vida.
Sobre ele, não se tem filmagens ou gravações.
As suas poesias encontram-se retratadas hoje em livros e cordéis e a maioria delas foi salva pela boa e velha tradição oral.
É conhecido como "o poeta do absurdo" , talvez
porque diga coisas absurdas e brinque com as tradições
católicas, bíblicas e com nomes de santos e heróis da história. Zé Limeira é a típica figura pictórica do universo sertanejo.
Dessa forma, sua poesia tem a marca registrada de não levar a arte poética a sério.
É, sem dúvida, de todos os poetas populares, juntamente com o velho pinto do monteiro,
o mais engraçado e desafiador da poesia popular quando o assunto é peleja poética.
Espero que divirtam-se bastante com essa pequena
demonstração da poesia do velho doido ( com todo respeito e admiração) Zé Limeira.
Repentes
Zé Limeira¹ – O Poeta do Absurdo.
“Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada”.
“Uma véia gurizada
Pra mim já é fim de rama,
Um véio Reis da Bahia
Casou-se em riba da cama,
Eu só digo pru dizê,
Traga o Padre pra benzê
O suvaco da madama”.
“Jesus foi home de fama
Dentro de Cafarnaum,
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum,
No sertão do cariri
Vi um casal de siri
Sem comprimisso nenhum”.
“Napoleão era um
Bom capitão de navio,
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo,
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio”.
“Meu verso merece um rio
Todo enfeitado de coco,
Boa semente de gado,
Bom criatoro de porco,
Dizia Dom Pedro Segundo
Que a coisa melhor do mundo
É cheiro de arroto choco”.
“São Pedro, na sacristia,
Batizou Agamenon,
Jesus entrou em Belém
Proibindo o califom,
Montado na sua idéia,
Nas ruas da Galiléia
Tocou viola e pistom”.
“Quando Jesus veio ao mundo
Foi só pra fazê justiça:
Com treze ano de idade
Discutiu com a doutoriça,
Com trinta ano depois,
Sentou praça na puliça”.
“Cantador pra cantar com Limeirinha
É preciso ser muito envernizado,
Ter um taco de chifre de veado
E saber decorado a ladainha,
Ter guardado uma pena de andorinha,
Condenar pra sempre o carnaval,
Guardar terra de fundo de quintal
E é preciso engrossar o pau da venta,
Beber leite de peito de jumenta,
Ediceta, pei-bufo, coisa e tal”!
terça-feira, 9 de junho de 2009
Improviso do Amor-Perfeito
Dia dos namorados chegando... Nesses versos da maestraCecília Meireles temos a espiritualidade presente em suas rimas. Sua poesia não fala da relação física mas do amor imaginado, sonhado. Para os românticos a ideia é fundamental, mas não é tudo. E os amantes que não possuem essa eterna busca pelo Amor-Perfeito não são dignos dEle.
Improviso do Amor-Perfeito
Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe,atrás do oceano
que nos meus se alteia
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.
Cecília Meireles
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Estrelas do passado

Essa é mais uma obra autobiográfica de Maciel Melo intitulada "Estrelas do Passado", nesses versos simples maciel massageia a vida com suas experiências
surpreendentes e instigantes por terem o prazer de serem inacabadas e inacabáveis.
Já errei muito mais do que devia
Hoje estou começando a errar bem menos
Meus deslizes começam a ser pequenos
Bem menores que a ânsia de chegar
Eu sai sem saber como voltar
Eu segui os atalhos do destino
Apanhei pra deixar de ser menino
E hoje apanho tentando não errar
Já andei muitas braças, muitas léguas
Tive grandes e enormes bons amigos
Tive vários amores, tive abrigos
Tive abalos, caí, me levantei
Tive acasos, perdi, também ganhei
Meus pecados paguei em alto preço
Me perdoe se achar que eu mereço
Se mereço até eu nem mesmo sei
Sei que nada se perdera por completo
Ainda resta um restinho de esperança
Um fiapo, uma nesga de lembrança
De um passado feliz que me marcou
Um poeta, um boêmio, um cantador
Um balcão, uma prosa, uma piada
Um soneto, um repente, uma noitada
E uma canção pelas retinas desabou
Meu desafio pelas léguas caminhou
Fui ferido e feri quem me feriu
E ferindo, a ferida se abriu
Nunca mais suturou, tornou-se chaga
E uma canção de amor me embriaga
Em doses de versos Buarqueanos
E uma bandeira branca em fino pano
Bem no seio de minha alma foi fincada
Foi ficando cada vez mais hasteada
E bem no alto tremula irradiante
Acenando aos poetas mais errantes
Quero paz e o resto a gente enterra
Qualquer mágoa nesse instante se encerra
Meu abraço abre os braços para os teus
E se teus braços chegarem junto aos meus
Eu abraço e nunca mais teremos guerra.
Canção do mês: "Sem ouro e sem mágoa"
Pra começar...
Nada melhor do que uma boa poesia sertaneja
Com o cheiro da terra e a maestria de Maciel Melo,
um dos maiores cantadores vivos desse sertão tão belo.
"Sem ouro e sem mágoa" é a música título de seu mais novo trabalho, no qual o mesmo compartilha várias canções com nomes como Santana e Silvério Pessoa.
Espero que se deleitem com essa música tão bela que é uma parceria entre ele e Fausto Nilo.
Sem ouro e sem mágoa
Me disseram que a noite é de lua na casa do rei
Eu também sou um rei nessa rua, na casa da solidão
Uma rosa ilumina meus olhos cansados de ver
A mentira subindo pró céu e a verdade no chão
Chega de fumaça do sereno,
chega que o veneno tá demais
Ê, minha nega, não chora que o tempo se atrasa
A saudade é uma casa caiada coberta de gás
Pelo o que a sanfona tá dizendo
Isso aqui também tá bom demais
Ê, vida boa, me leva sem ouro e sem mágoa
Sou cavalo que não bebe água e nem olha pra trás
Mas se ela quiser me levar na cachoeira
Pra esquecer dessa besteira, eu rastejo aos seus pés
Quando acabar de cantar a saideira
Minha alteza companheira que beleza que tu és.
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